Normas de segurança para robôs industriais: o que saber sobre a ISO 10218

Robôs industriais são equipamentos de alto desempenho. Movimentam cargas, alcançam grandes velocidades e operam por longos períodos sem pausa. Essas mesmas características exigem cuidado com a segurança das pessoas que trabalham ao redor. Normas técnicas existem para orientar fabricantes, integradores e usuários nessa tarefa. Neste texto, a BRAS apresenta uma visão geral das principais referências, com destaque para a ISO 10218.
Este conteúdo é informativo e não substitui a leitura das normas oficiais nem a análise de um profissional habilitado.
O que é a ISO 10218
A ISO 10218 é a norma internacional de referência para a segurança de robôs industriais. Ela é dividida em duas partes:
- Parte 1: trata dos requisitos de segurança para o próprio robô, sendo voltada principalmente aos fabricantes.
- Parte 2: trata dos sistemas robóticos, das aplicações e das células, sendo voltada a integradores e usuários.
A norma passou por revisão recente, que incorporou temas ligados à robótica colaborativa e atualizou requisitos. Por isso, vale sempre conferir a edição vigente. No Brasil, a ABNT publica versões da norma adotadas como NBR ISO.
Robótica colaborativa
Com a popularização dos robôs colaborativos, cresceu a necessidade de orientações sobre aplicações em que pessoas e robôs compartilham o mesmo espaço. A especificação técnica ISO/TS 15066 tornou-se referência nesse tema, com orientações sobre modos de colaboração e limites de força e pressão no contato. É importante lembrar que um robô colaborativo não torna automaticamente uma aplicação segura: a análise de riscos continua indispensável.
A NR-12 no contexto brasileiro
No Brasil, a Norma Regulamentadora NR-12, do Ministério do Trabalho e Emprego, estabelece requisitos de segurança para máquinas e equipamentos, e se aplica também a sistemas robóticos. Normas técnicas como a ISO 10218 ajudam a atender a esses requisitos de forma estruturada.
Outras referências importantes
A segurança de uma célula robótica costuma envolver outras normas, como as de avaliação e redução de riscos (ISO 12100), de partes de sistemas de comando relacionadas à segurança (ISO 13849) e de distâncias de segurança e dispositivos de proteção. O conjunto aplicável depende de cada projeto.
Segurança desde o projeto
A principal lição das normas é que a segurança deve ser pensada desde a concepção, e não adicionada no final. Boas práticas incluem:
- realizar e documentar a análise de riscos em todas as fases do projeto;
- considerar todos os modos de operação, inclusive manutenção, setup e programação;
- escolher proteções e dispositivos adequados aos riscos identificados;
- validar as funções de segurança antes da entrada em operação;
- capacitar todas as pessoas que interagem com o sistema.
Um tema para toda a comunidade
Segurança é responsabilidade compartilhada entre fabricantes, integradores, usuários e profissionais. A BRAS pretende tratar o tema em suas comissões técnicas e em materiais da área de Publicações. A formação em segurança também faz parte das opções em Cursos e Certificações.
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